Meu caros,

No último post fiz uma breve introdução sobre a Lógica clássica e seu fundador, um dos maiores pensadores da história, Aristóteles.
Ele, como filósofo, aluno de Platão, foi o autor de uma obra chamada Organon que, entre outras coisas, estuda formalmente o ato de raciocinar.

Como eu havia dito no artigo anterior, a Lógica na Grécia Antiga era conhecida como a "Ciência do Bem-Pensar" porque acreditavam os gregos que somente o pensamento correto, baseado na razão é capaz de levar ao conhecimento da verdade. E para tanto, a Ciência do Bem-Pensar, deveria ser composta de regras, a maioria de caráter matemático, que nos ajudaria a desvendar o propósito de um pensamento ou discurso e definí-lo como verdadeiro ou falacioso.

Foi nosso amigo Ari que criou esse conjunto de regras que passaram a ser a base do pensamento lógico e que se tornaram o que chamamos hoje de "Lógica Aristotélica.

Aqui começa o verdadeiro conhecimento dessas regras, meus caros, e tenho certeza que as mesmas lhes vão servir em muitos aspectos de suas vidas. A Lógica Aristotélica é composta de 3 princípios ou leis básicas: a Lei da Identidade, a Lei da Não-Contradição e a Lei do Terceiro Excluído. Mas que interessante Albert! Essas leis tem nomes bonitos, mas para que servem na prática?

Bom, antes de explicar isso eu costumo citar uma célebre frase de Bertrand Russeau: "O objetivo da filosofia é partir de algo muito simples, indigno de atenção, e terminar com algo tão paradoxal que ninguém mais acredite nele".

Os princípios (do Latin Primum Caput, "o que encabeça") da lógica fazem parte da origem de qualquer demonstração, de qualquer discurso, como condições necessárias e evidentes. Por serem princípios, eles não requerem demonstração e, por serem tão óbvios, muita gente não os julga dignos de atenção. A essas pessoas chamamos "crédulos". Vejamos porque:

1. A Lei da Identidade diz que "O que é, é", ou numa forma logicamente mais exata "o que é verdadeiro, é verdadeiro", ou melhor ainda "Se algo é verdadeiro então é verdadeiro"

2. A Lei da Não-Contradição diz que "nenhuma afirmação pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo".
Por exemplo: "Albert Pike é falso e Albert Pike não é falso", "40= 49 e 40 ≠ 49" e por aí vai.

É por isso que quando vemos um debate político na televisão, todos eles se preocupam em encontrar contradições ou falsas afirmações no discurso do oponente para invalidar seu argumento. E é por isso que é tão importante que você leitor, esteja muito atento aos detalhes de um discurso, buscando afirmações que se contradigam. Isso de cara já te ajudará a determinar se um discurso é verdadeiro ou cheio de inconsistências.

Seria ótimo se fosse assim tão fácil. O que acontece, meus caros, é que os discursos e textos retóricos (que buscam convencer) não possuem uma estrutura assim tão simples e rudimentar para que se detecte logo de cara proposições contraditórias. Não se o escritor for "hábil". Geralmente muitas afirmações falsas são misturadas com outras verdadeiras dando ao leitor ou ao ouvinte a impressão de que a conclusão é válida.

3. A Lei do Terceiro Excluído diz que "uma afirmação só pode ser falsa ou verdadeira não havendo um meio termo" ou para entender melhor "duas proposições contraditórias não podem ser ambas falsas".

Conhececendo essas três regras qualquer leitor pode começar a analisar os textos, idéias, discursos que nos chegam diariamente, quase sem cessar. Separar o joio do trigo é importante para a mente que quer aprender mas pretende fazê-lo apoiado somente na verdade.

As três leis da lógica básica, ainda que pareçam muito simples, tiveram um grande impacto na história da filosofia e no desenvolvimento da ciência. Há uma relação muito importante entre cada uma dessas leis e a maneira como tiramos conclusão de algo e todas elas tratam de encontrar contradições num discurso ou analisar como as afirmações ou premissas se relacionam entre si. Duas fórmulas contraditórias, no mesmo espaço temático nos asseguram que um discurso não é de todo verdadeiro.

O que vocês têm lido ultimamente e quais contradições encontraram?

Graça e Paz,
Albert Pike

1 comments:

Conhecer os estudos sobre a estrutura do pensamento é uma idéia louvável, por isso quero citar um filósofo pré-socrático bem interessante para comparação:
Heclático (VI a.c.), que viveu na faixa costeira de Mileto, tinha 2 grandes princípios para seu pensamento : que tudo é formado pela união dos opostos . Ex: Um copo está ao mesmo tempo meio cheio e meio vazio. E o segundo é que nada é constante, tudo flui. Ex: o fogo "parece" um objeto, mas na verdade é um proceso físico - químico. Comparem com o trecho do pensamento de Aristóteles que foi exposto na coluna. http://www.mundodosfilosofos.com.br/heraclito.htm

necrocaipora said...
June 9, 2008 at 11:22 AM  

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